Ibama estuda aprovação de manejo sustentável de aruanãs brancos para fins ornamentais e de alimentação no AM

Fonte: Por G1 AM
Pescadores do Amazonas se preparam para futuro manejo de Aruanãs no Estado — Foto: Divulgação
Um grupo de pescadores fez um levantamento de estoques de aruanãs brancos em lagos na região de Maraã, distante 640 Km de Manaus. O primeiro manejo sustentável dessa espécie no Estado para fins ornamentais e de alimentação pode ser aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ter início das atividades este ano. Com isso, a Reserva Mamirauá vai ser a primeira área no estado do Amazonas a fazer esse tipo de manejo.
Até o ano de 2017, a captura de larvas e alevinos [filhotes] de aruanãs para fins ornamentais era proibida no Amazonas, pois a legislação não permitia que um só tipo de peixe fosse, ao mesmo tempo, produto do mercado de ornamentais e de alimentação. Mas, com base nas experiências e dados coletados na região de Maraã, uma resolução da Secretaria Estadual de Meio Ambiente aprovou a pesca, desde que a atividade siga os princípios sustentáveis do manejo.
A espécie está na lista de pescados mais consumidos no Amazonas. No entanto, a particularidade desse peixe vai além da cozinha, pois, quando filhotes, os aruanãs são bastante observados pelo seleto mercado de ornamentais.
Como parte dos preparativos para o início da atividade, o Instituto Mamirauá e pescadores do município de Maraã realizaram, em novembro, a contagem de aruanãs em lagos da região.
A pesquisa mais recente foi feita no complexo do Lago Preto, conjunto de lagos localizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, unidade de conservação a cerca de 640 km de Manaus. A equipe formada por membros da colônia local de pescadores contabilizou os estoques de aruanãs brancos adultos e juvenis em três lagos do complexo.
Segundo eles, aruanãs adultos medem a partir de 50 cm, tamanho médio de maturação sexual. Abaixo disso, os peixes são considerados juvenis. Para o levantamento realizado, cientistas e técnicos do Instituto Mamirauá acompanharam a análise.
De acordo com a pesquisadore Danielle Pedrociane, a contagem foi positiva e não é de hoje que o grupo de pescadores se preparam para contagem.
“Os resultados estão em análise, mas posso adiantar que a taxa de erro entre a quantidade de peixes apontada pelos contadores e o total que havia de fato nos lagos foi bastante baixa. Esse é um grupo de pescadores experientes na contagem e que vem se preparando há tempos para fazer o manejo de aruanãs", disse.
A contagem realizada integra os estudos sobre a ecologia e a biologia de aruanãs conduzidos pelo Instituto Mamirauá. As pesquisas são feitas há mais de uma década nessa região e deram sustentação científica para o plano de manejo da espécie, proposto ao IBAMA.
A resolução para ser aprovada, libera a pesca em áreas de manejo, com apresentação de plano de uso sustentável, relatório técnico e histórico de no mínimo 3 anos de contagens já realizadas.

Contagem de aruanãs

A metodologia de contagem praticada em lagos da Reserva Mamirauá foi inspirada em experiências feitas no Peru, onde a comercialização de aruanãs na categoria de peixes ornamentais é uma realidade antiga.
Adicionando critérios técnicos à atividade e com adaptações ao contexto local, os pesquisadores do Instituto Mamirauá chegaram ao modelo atual: à noite, durante a estação de seca (em média, de agosto a novembro), os pescadores fazem a contagem visual de aruanãs em lagos de água negra.
Divididos em duplas e guiados por lanternas de cabeça, os pescadores saem em canoas e percorrem, lado a lado, toda a extensão do lago, da cabeceira até a ponta. Na proa, vai o contador e atrás o anotador, registrando em uma planilha os aruanãs que forem contabilizados no caminho. “É como um escaneamento do lago”, explica Danielle Pedrociane. “As canoas ficam emparelhadas a uma distância de 5 metros entre elas, e seguem a uma velocidade média de 2 quilômetros por hora (km/h). A velocidade é controlada por um dos pescadores com o uso de GPS”.
O contraste entre o tom escuro e límpido das águas e os olhos e escamas do aruanã, que refletem a luz, permitem a visualização. “A contagem é feita à noite porque o aruanã é um peixe de superfície e dá para se ter uma boa visualização dele com o foco de uma lanterna”, afirma Reinaldo Marinho, técnico do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, que acompanhou a contagem.
Os alevinos e larvas, valorizados no mercado de ornamentais são contados a partir da boca dos machos da espécie: entre os aruanãs, é o macho que cuida dos filhotes, guardando a prole na boca até um certo estágio de vida.
“Quando a boca do peixe está entreaberta, o contador consegue ver a coloração do filhote e distingue em qual fase de desenvolvimento ele se encontra. A partir de 5 cm (centímetros), é permitido o manejo de ornamentais”, informou a pesquisadora.
Para confirmar o que foi contado, a equipe faz o que é chamado de despesca ou “arrasto”: assim como no manejo de pirarucu, partes do lago são fechadas com redes de pesca e, após a contagem, os pescadores retiram todos os peixes do ambiente.
“Essa é uma metodologia de baixo custo e eficaz para estimar a população local de aruanãs e possibilita o manejo da espécie”, avalia Reinaldo. “Estamos em uma fase de passagem das pesquisas somente para a soma da extensão nesse processo, e por isso a presença da assessoria técnica, acompanhando e contribuindo nas atividades", finalizou.

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